difícil
Hoje está difícil. Comecei ontem a noite a tomar arazapina e fiquei muito sedada. Fui para o trabalho de manhã mas não consegui ficar. EStava tonta, com a cabeça confusa. Fiquei com medo de fazer besteira, disse que estava passando mal e fui embora. Mas fiquei me culpando o dia inteiro por não ter trabalhado, embora eu saiba que não teria conseguido trabalhar. Acho que estou entrando em uma nova crise. E justo agora, quando meu marido está numa fase profissional importante e precisa de meu apoio. Enfim, não sei nem como estou escrevendo isso. Mas amanhã vou trabalhar, e ainda enfrentar um desafio: contar para minha gerente, que também é minha cunhada, que estou com depressão e estou iniciando um tratamento. Acho imporatnte falar, jogar limpo, afinal, gosto do meu trabalho e também preciso dele. Quero melhorar e viver minha vida, e para isso, preciso ser sincera, pois não sei o que pode acontecer. E, como eu acredito que a empresa em que trabalho é um bom lugar que valoriza seus funcionarios, vou contar, mostrar que quero melhorar. Bom, vou ficar por aqui, outro dia volto com a cabeça melhor. Abraços
Dilema
Estou com um dilema. Sabe aquele preconceito de achar que depressão “é coisa da sua cabeça”, frescura, pensamento negativo, coisa e tal? Pois é. Apesar de saber que isso é mentira, que depressão é doença, acho que eu mesma tenho um pouco desse preconceito, comigo mesma.
Sabe por quê? Custei a aceitar ir ao médico. Fui porque percebi, eu, meu marido e familiares mais próximos, que a convivência comigo estava ficando insustentável. Me incluo nisso, porque às vezes é difícil para mim conviver comigo mesma. Enfim. Fui ao médico e foi como se a realidade fosse descortinada e eu tomei uma real consciência do meu problema. Tá. Só que aí começaram as neuras: Medicação. Tenho uma resistência muito grande com medicação e pra melhorar os remédios que o médico me receitou são um pouquinho caros. Aí eu fico me questionando. Será que preciso mesmo disso? Será que não há outro paliativo, outro meio? Será que não vou gastar dinheiro a toa e me submeter a vários sintomas desnecessariamente?
A verdade é que estou inconformada em comprar esses remédios. Como a doença não é física, não aparece em nenhum exame, não dá nenhuma dor, tá tudo na cabeça, eu fico sempre imaginando que eu tô inventando tudo isso. Meu Deus, eu sei que eu não estava bem, por isso procurei um médico. Mas agora eu questiono se esse tratamento é necessário. Acho que tô com um pouquinho de dificuldade de ver a realidade de forma coerente. Sinceramente, agora, não sei o que fazer. Pode parecer um absurdo, mas não sei o que fazer.
Vamos Lá
Meu nome é Gislene. Aos poucos vou contando minha história. O objetivo deste blog é relatar minha experiência, dia a dia, com um transtorno que está presente em minha há mais ou menos 10 anos. Eu tenho 29 e estou com depressão. Digo estou porque minha mãe me ensinou que não devo dizer que tenho, porque isso não é meu e não vai ficar para sempre, por isso não devo tomar posse.
Bem, estou com depressão. Até o final do ano passado eu estava em tratamento com um psiquiatra e uma psicóloga, mas eu entrei em crise. Tomava quatro remédios diferentes, Parecia que nenhum fazia efeito, só piorava, Eu ligava praticamente todos os dias para a psicóloga e o psiquiatra, até que este último disse que não sabia mais o que fazer comigo, que iria me encaminhar para uma segunda opinião ou então teria que me internar.
Eu estava muito cansada, mas no fundo eu sabia, e os que estavam à minha volta também, que eu não era um caso de internação. Precisava de tratamento sim, mas não internação. Procurei a segunda opinião, conforme o psiquiatra me orientou, e a “única” coisa diferente que esse médico disse é que eu deveria tomar um outro medicamento (desculpe, não lembro o nome) Esse remédio seria o original ou outra versão daquela que o meu médico me receitava. O “segunda opinião” disse que esse seria o melhor para mim. Ele disse que não irir receitar, que era para eu falar antes com o meu médico.
Fui. Quando eu cheguei e contei a consulta sabe o que o psiquiatra disse para mim? Que não tinha me receitado esse outro remédio porque ele era mais caro!! Deus, mas se esse era melhor para mim, ele tinha que ter me aberto essa possibilidade. Sou eu quem decido se posso ou não comprar! Eu já estava tão cansada que resolvi largar tudo: médico, terapeuta, remédios.
Joguei meus remédios fora e coloquei minha saúde única e exclusivamente nas mãos de Deus: ledo engano. Eu não sabia que Deus podia me curar, mas eu tinha que cooperar também né? Resultado? Tive um crise de abstinência horrorosa, por quase uma semana. Como tinhas as receitas da última consulta, comprei os remédios e fui tomando, diminuindo aos poucos por minha conta. Eu iria parar, mas aos poucos,
Parei, fiquei uns seis meses “limpa”, sem remédio. Mas aos poucos os sintomas começaram a voltar. Eu estava bem, estava mesmo. Mas as coisas foram mudando. Eu não queria admitir. Demorou muito, a custo de muita dor eu reconheci que estava doente e precisava procurar ajuda médica de novo.
Deus colocou pessoas maravilhosas em minha vida e me ajudou a encontrar um excelente profissional. Consultei na segunda e fui diagnosticada com depressão refratária. Nem sabia que isso existia. Pois é.
Acho que vou iniciar uma nova caminhada e pensei que escrever um blog me ajudaria a escrever uma hisatória difernte de 10 anos atrás. Quero me curar, quero aprender e crescer com tudo isso. Sei que não será fácil, mas tenho fé que é possível.